segunda-feira, 22 de abril de 2013

ATITUDE MORRO DO ELEFANTE


 

 

             No ano de 2012, sensibilizadas pela situação das Araucárias, lindas e  generosas, resolvemos fazer coleta de pinhões em diferentes áreas da Mantiqueira para fazer mudas dessa majestosa árvore, ícone de nossa região. Foram coletados pelo menos 20 dezenas de sementes, que foram selecionadas e posteriormente plantadas. De todas as sementes plantadas nasceram 60 mudas.
 
 
 

               A Araucária é uma árvore que consta como ameaçada de extinção em todas as listas de árvores em perigo, no caso da Araucária não se trata apenas de proibir o corte é preciso plantar, pois nos poucos fragmentos que ainda existem morrem mais indivíduos do que nascem.
 
 

            Hoje um ano depois essas pequeninas mudas estão no ponto de serem plantadas,  ai tivemos uma ideia e queremos compartilhar com você.
 



 

 

            Nós plantamos uma Araucária em seu nome dentro dos limites do Sítio Morro do Elefante, cuidamos dela para você.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Você leva um avental com nossa logomarca e neutraliza parte do carbono que você produz, colabora para que uma importante árvore Brasileira saia da lista de árvores ameaçadas de extinção. E daqui alguns anos você colherá  pinhões no lindo inverno da Serra da Mantiqueira.
 
 
 
             E de quebra todos os recursos arrecadados nessa campanha serão revertidos para a RPPN Morro do Elefante, nosso atual objetivo hoje é efetuar a compra de  armadilhas fotograficas, para monitorar os animais que circulam pela reserva e também os caçadores, numa tentativa de coibir e tentar mudar esse habito da caça nesta região. 
            PELO FIM DAS CAÇADAS  DE ANIMAIS SILVESTRES NA MANTIQUEIRA.
           Participe, entre em contato através do e.mail. 
               morrodoelefante12@yahoo.com.br
 
          Agende uma visita.

 Atualização: Hoje 10/09/2013, já plantamos 18 mudas de Araucaria angustifolia, Pinheiro Brasileiro, e apesar de não termos arrecadado o dinheiro suficiente para compra da TRAP - Armadilha fotografica, nós já realizamos a compra e a Trap já esta instalada na RPPN, porém as únicas fotos registradas foram de cachorros caçadores que transitam pela propriedade livremente, pois os donos desses cachorros os liberam sistematicamente para que eles faregem ondem possivelmente os animais silvestres se localizam.
Continuamos na luta: PELO FIM DAS CAÇACADAS DE ANIMAIS SILVESTRES NA MANTIQUEIRA.

 

 

 

 

terça-feira, 26 de março de 2013

A importância de preservar


Hotspots são áreas no planeta de elevada biodiversidade que tiveram mais de 70% de sua vegetação original destruída. Existem 25 pontos do planeta considerados hotspots e a Serra da Mantiqueira é um deles, a RPPN Morro do Elefante esta no coração desse hotspot, a menos de 1 km da nascente do Rio Grande.  Os Hotspots representam apenas 1,4% da superfície do planeta, mas contém 60% da diversidade de espécies terrestres e são, portanto, prioritários para a conservação.
As imagens falam por si.....
                               Fotografia tirada  do Morro do Elefante em 1987.
 
As imagens abaixo foram tiradas nos ultimos 12 anos.















               Imagem em Fevereiro de 2013, um ano após o reconhecimento da Reserva.

                              

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

CAÇADAS NA MANTIQUEIRA


Mira Antunes Diniz


“As pessoas têm medo das mudanças. Eu tenho medo que as coisas nunca mudem.”
C. Buarque 


Aconteceu comigo: Nas férias resolvi passar o mês de janeiro na casa de amigas em Bocaina de Minas, elas moram em um sítio a cerca de 30 Km da cidade. O sítio é uma RPPN – Reserva Particular do Patrimônio Natural – e em toda a área da reserva é proibido qualquer tipo de exploração da natureza, incluindo a caça e pesca. Basicamente deixa-se a natureza crescer zelando para que isso aconteça. Pois bem, numa manhã de domingo acordamos com caçadores dentro da terra, bem perto da casa. Ouvíamos os cachorros dos caçadores perseguindo algum animal, que poderia ser um jacu, pássaro em extinção; um veado; uma paca com filhotes; um tatu bola, também considerado animal em extinção, enfim, um animal que deveria estar protegido pela reserva. Ficamos com vontade de encontrar o dito cujo e lhe dizer poucas e boas, vestimos nossas botas e subimos o morro seguindo o barulho dos cachorros, não encontramos ninguém, mas gritamos avisando que chamaríamos a policia florestal e que era para eles voltarem para suas casas.


 A maioria dos caçadores perseguem os animais e entregam a caça para que os cães da raça perdigueiros estraçalhem o animal, estilo medieval cada cachorro puxa de um lado. Moral da história: caçadores entram em terras alheias, caçam por puro esporte e crueldade, e por fim, deixam o animal morto para os cachorros comerem.


Muitas pessoas que eu conheço passam por situações semelhantes, então pensei e em escrever um texto a respeito da caça. Quem deveria ler, provavelmente não vai, mas pelo menos fica registrada a tristeza com que muitas pessoas olham para as caçadas, que hoje em dia devem ser encaradas como atos de crueldade e egoísmo. Houve sim um tempo da história da humanidade em que a caça e a pesca eram atividades essenciais ao homem e muito mais, eram atividades necessárias à sobrevivência da espécie. E é nesse ponto que quero começar.




A HISTÓRIA DA CAÇA 


A prática da caça remete aos primórdios do desenvolvimento da humanidade. Caçar era um meio de obter alimentos para a subsistência e também o couro era utilizado no vestuário, na verdade quase nada era jogado fora, uma vez que o homem ainda não tinha desenvolvido a pecuária e vivia de coleta extrativista e caça. Já no período neolítico começam a ser encontrados vestígios de instrumentos utilizados na caça, como pontas de lanças e flechas de pedra lascada, pequenas facas de osso e até mesmo agulhas de espinhas de animais que eram usadas para costurar os couros que serviam como roupas e sapatos. Com o passar do tempo os instrumentos foram se aperfeiçoando; a roda e o fogo foram descobertos, assim como os metais, o que permite que armas, que eram utilizadas para caçar, fossem fabricadas de bronze e depois de ferro.


Com o desenvolvimento dos instrumentos e o passar do tempo, o significado da caça passa a ser outro, não só subsistência, mas uma forma de iniciar os jovens e demonstrar força e liderança perante o grupo. Nas sociedades indígenas, por exemplo, a bravura era reconhecida naquele que caçasse o maior e mais feroz animal.


Outro aspecto que merece ser lembrado é que para os povos antigos, a caça não era vista como esporte ou prazer, a vida animal estava profundamente ligada a existência da humanidade e por isso a visão que homens e mulheres tinham dos animais e da própria natureza era de reverência e respeito. Tanto que a teoria mais aceita sobre o porquê dos desenhos rupestres é que eram os caçadores que os desenhavam, assim poderiam dominar o animal através de um sentido mágico e espiritual.


Talvez umas das primeiras manifestações em que a caça é vista como esporte e como uma espécie de lazer é na Roma Antiga, nos espetáculos que ocorriam no Coliseu, chamados de venatio. Animais selvagens trazidos da África, em especial felinos como leões, leopardos e panteras; e ainda rinocerontes, hipopótamos, elefantes, girafas, crocodilos e avestruzes eram utilizados. Tal como as representações de batalhas famosas, cenários elaborados eram montados com árvores e edifícios.




A CAÇA HOJE 


Com um grande salto podemos dizer que com o passar do tempo caçar foi se tornando cada vez menos uma necessidade de sobrevivência, que atendia à humanidade no inicio do desenvolvimento, social, cultural e espiritual, para se tornar um esporte. Foi na França que nasceu o primeiro clube de caça, pessoas que se reuniam periodicamente para caçar. Os clubes de caça foram se tornando populares e se espalharam pelo mundo.


Atualmente muitos países possuem leis regulamentadoras, sobre a época, lugares e quais animais podem ser caçados, o que não impede que muitas pessoas pratiquem a caça ilegal, em áreas proibidas e em épocas de reprodução das espécies.  


Caçar, diriam alguns, remete a um instinto primitivo do homem, mas como falar em instinto? É claro que em algum momento da humanidade a caça foi necessária para a sobrevivência, mas, desde que os animais foram domesticados e iniciou-se a atividade da pecuária e agricultura e estas se desenvolveram, é difícil conceber a necessidade de caçar. Os seres humanos não estão mais no nível do instinto, desde que o trabalho existe e que a humanidade pode modificar a natureza, criar valor e com o excesso de seu trabalho fazer vendas e trocas, não é mais possível dizer que o homem age por instinto e sim por influências sociais criadas a partir de uma noção de civilidade que foi possível com o trabalho e com o desenvolvimento espiritual da humanidade.


 Há, também, quem diga que essa é uma questão de foro íntimo, que é um esporte, que gera prazer. Porém, olhando com um olhar amoroso se diria um prazer sádico, como o sofrimento de outro ser vivo pode ser prazeroso? Como matar um veado com um filhote, deixando o filhote morrer porque ainda precisa da ajuda da mãe pode gerar prazer? Ou uma paca, ou um lobo-guará animal ameaçado de extinção devido à caça, ou um jacu mesmo caso, ou um jacaré para fazer sapato, ou uma onça pintada para fazer casacos de pele luxuosos, ou uma baleia... Uma lista interminável poderia ser colocada aqui.


Caçar por esporte é uma completa falta de empatia e respeito a outras formas de vida no planeta terra. Homens e mulheres, cada vez mais, precisam ter consciência e adquirir consciência sobre o respeito que se deve a natureza, somos parte dela, sua destruição é intrinsecamente a destruição do ser humano.


Em casos de necessidade, de sobrevivência, caçar poderia ser permitido, mas uma caça que é feita tão por esporte que o animal morto e jogado aos cachorros para que eles o destrocem? Esse tipo de caça não cabe nos dias atuais, e mais do que isso, não pode ser admitida. Por fim fica a citação de Albert Schweitzer: “Quando o homem aprender a respeitar até o menor ser da criação, seja animal ou vegetal, ninguém precisará ensiná-lo a amar seus semelhantes”.






Lista de alguns animais ameaçados de extinção pela caça




Caça, pesca e outros abusos são uma ameaça séria para pássaros (37% de todas as espécies), mamíferos (34%), plantas (8% das espécies avaliadas), répteis e peixes marinhos.




Onça-pintada


Esse animal é contrabandeado pela procura de sua pelagem para fabricações casacos e tapetes. Ainda, além do contrabando, outros fortes elementos colaboram para o extermínio dessa espécie, tais como a caça ilegal, destruição do habitat  e a poluição do meio ambiente.
A Onça parda é um animal caracteristico de nossa região, Serra da Mantiqueira, e se encontra ameaçada de extinção como a onça Pintada, que não ocorre na Mantiqueira.



















Tatu peba: Esse animal também esta na tabela dos considerados extintos, em decorrência a caça. Esse animal é muito procurado pelos caçadores, devido a sua carne, onde é comercializada ilegalmente.







Lobo-Guará: Muitos fazendeiros caçam os lobos-guarás pensando que podem causar grandes prejuízos em seus rebanhos, assim, a caça causa a extinção dessa espécie.




Cachorro do Mato Vinagre: Esse animal já é considerado em extinção por causa das queimadas, do desflorestamento e da ocupação do homem em seu habitat.





 Cervo do Pantanal: Esse animal esta desaparecendo devido a caça ilegal. Os cervos são os principais alvos dos caçadores, que vão em busca de sua galhada. Na Serra da Mantiqueira não ocorre o Cervo do Pantanal, mas seu parente próximo que também é muito caçado e também se encontra ameaçado de extinção é o Veado Catingueiro.






Jacaré-de-papo-amarelo


Há 20 anos este réptil estava em risco de extinção por causa de seu couro, usado para fabricar calçados e bolsas. Graças ao manejo da população e à regulamentação da caça, o jacaré-de-papo-amarelo hoje pode ser visto em praticamente todo o país.




Peixe-boi


No Brasil, o peixe-boi é protegido por lei desde 1967 e sua caça e comercialização de produtos pode levar o infrator a até dois anos de prisão. São animais de hábitos solitários, raramente vistos em grupo fora da época de acasalamento.

Tantos outros animais são caçados ou assassinados em nossa região causando um desequilibrio na fauna  bastante significativo, hoje podemos observar um grande aumento na população de ratos e camondongos como resultado da matança de todos os tipos de cobras. Podemos observar também um grande aumento na população de jacús (apesar de sua caça predatória) devido ao desaparecimento de Tucanos e outros predadores.








Algumas referências: 


A referência sobre o primeiro clube de caça pode ser encontrada na enciclopédia Larousse Cultural no verbete “caça”. 


http://navegolandia.com/onca-pintada-e-outros-animais-em-extincao/


http://www.greennation.com.br/pt/dica/200/Equipe-GreenNation/Animais-em-extin-o-no-Brasil


http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/meio-ambiente-extincao-das-especies/extincao-das-especies-2.php




http://www.recantodasletras.com.br/artigos/1467317 Curiosidade sobre as tribos indígenas brasileiras.


Sites acessados em janeiro de 2013.

terça-feira, 1 de maio de 2012


CARTA  DA  MANTIQUEIRA 

No ensejo da Cúpula Ambiental  RIO +20, quando estão sendo discutidas, internacionalmente, políticas públicas de Estado e ações coletivas que busquem harmonizar e adequar as relações da Economia e da Sociedade com o Meio Ambiente, desejamos levar à público a voz destas Montanhas.

A Mantiqueira constitui-se no mais  relevante conjunto orográfico do País, representando, com suas cadeias de montanhas e altos Picos ( Agulhas Negras, Pedra da Mina, etc) o equivalente brasileiro do sistema andino.

Seu âmbito geopolítico abrange mais de 40 municípios, distribuídos pelos três mais destacados Estados  nacionais , Minas Gerais, São Paulo e Rio de janeiro, ocupando área de cerca  de 10.000 km², comparável àquela do território do Líbano.

Por sua relevância  ecológica, sociocultural e histórica dentro do Sudeste brasileiro,  foi criada, em 1985, a Área de Proteção Ambiental da Mantiqueira ( APA ), a maior e estrategicamente a mais importante Unidade de Conservação na sua modalidade.

A Macro-Região da Mantiqueira encerra em seu espaço,  além de aquíferos, complexa rede hidrográfica , berço de inumeráveis cursos d’água, formadores de importantes  Bacias , como as do Rio Grande, gerador do Rio Paraná, que se estende até o Rio da Prata, e outras mais, como a do Rio Verde e a do Sapucaí , além de  alimentar a importante Bacia do Rio Paraíba do Sul.,  

Sob o ponto de vista ecológico-ambiental, além de representar o último grande espaço verde do eixo Rio- São Paulo, nela se encontram os derradeiros fragmentos da Mata Atlântica interior de Altitude e  remanescentes dos bosques de Araucária, sua rica biodiversidade apresentando espécies e características únicas, que precisam ser defendidas e resgatadas.    Seu papel de ponte de ligação, atravessando os três Estados, é vital para o estabelecimento dos Corredores da Biodiversidade, que devem ser incrementados e ampliados.

A Mantiqueira  representa , de fato,  uma verdadeira fábrica de água e de ar puros e seu Patrimônio Paisagístico é inigualável.

Sob o  aspecto sociocultural, a Região figura como o um dos últimos lugares, no Sudeste, que ainda mantém, entre suas comunidades, tradições e valores rurais-agrícolas familiares,  saberes imemoriais  que são fundamentos  de segurança alimentar  para o futuro e cuja preservação e resgate se revestem  de especial importância em face das  atuais e sempre crescentes crises  ambiental e climática.

Considerados esses aspectos e diante do descaso e desconhecimento com que a Mantiqueira como um todo tem sido tratada pelas sucessivas administrações, quer na esfera Federal e Estadual, quer, principalmente, no âmbito das suas municipalidades, queremos nesta mensagem registrar as justas demandas de suas comunidades rurais, de suas organizações civis não governamentais e, sobretudo, dos numerosos conservacionistas e  ambientalistas que lutam – há anos -  pela sua preservação.

A Mantiqueira, território coetâneo da História do Brasil,  verdadeiro  “País de Paisagens”, reservatório  ainda considerável de Vida Silvestre, manancial  estratégico de águas que abastecem  indústrias e milhões de habitantes ao longo do seu eixo , clama por maior atenção e cuidados por parte dos governos e organismos ambientais , os quais precisam ser prestigiados e não esvaziados como está acontecendo.

 É urgente e necessário que este inestimável Patrimônio Natural e Cultural seja protegido e preservado,  seja objeto de um planejamento integrado e que sua APA seja efetivamente implementada e tenha suas ordenanças obedecidas. Para tanto, esta mensagem também está sendo dirigida à UNESCO, no seu Programa MAB , Man and Biosphere.

Finalmente, a Mantiqueira vem -  por esta carta - expressar, firmar e confirmar sua importância geopolítica estratégica para o Sudeste e para o País. A Região não deseja ser, nem deve ser vista e tratada, meramente,  como um vazio à mercê da especulação turística desregulada e invasiva (em prejuízo de modalidades menos impactantes dessa atividade, como o agro turismo) , às expensas  de sua vocação como Reserva Natural, de suas potencialidades produtivas rurais e do seu valioso patrimônio humano e cultural.

É o que tínhamos a declarar.

Destas Montanhas saudamos, irmanadamente, a  todos os participantes, de todas as Nações Amigas que aqui estão reunidas, fazendo votos para que a RIO +20 represente um passo efetivo e mais do que urgente na direção da preservação da Terra.


      A RPPN MORRO DO ELEFANTE apoia a iniciativa da Fundação Mantiqueira e reitera suas palavras. "Apoie a Fundação e ajude a Preservar a Mantiqueira"

quarta-feira, 21 de março de 2012

UM POUCO DE NOSSA HISTÓRIA


 
O Sítio Morro do Elefante foi adquirido em 07/09/1999, era uma propriedade que nunca havia sido habitada, no entanto seus antigos proprietários tinham usado parte de suas terras como pastagem até aproximadamente o ano de 1984, prática abandonada posteriormente devido a dificuldade topográfica. Tratava-se de uma das famílias pioneiras da região, família Paranhos, descendentes antigos de portugueses, desbravadores, responsáveis pela abertura das estradas locais e produtores até hoje do queijo tipo parmesão, famoso na região.
Depois de adquirido por nós, limitamos ainda mais a área de desmatamento, enquanto o antigo proprietário usava aproximadamente 1/3 de sua área para pasto, nós passamos a usar menos de 1/10 de sua área para benfeitorias como moradia, casa do mel e pomares. O Sítio tem uma área de 39,44 ha sendo que desse montante 30,70 ha é área da RPPN, o restante é área de mata nativa 6,98 ha e apenas 1,76 ha é área de benfeitorias e pomar.





Casa do Mel e Processamento de Doces e Geléias



Logo após a compra do sítio fizemos uma pequena cabana de madeira (eucalipto) que imaginávamos seria a única morada por muito anos, pois somos professoras, nossos ganhos são modestos, no entanto o destino conspirou e conseguimos construir a casa sede, usando vários materiais de demolição, que nos foram cedidos por parentes e amigos.
Hoje temos além da cabana pioneira, a casa sede um pequeno chalé que foi construído com tijolo ecológico (feito no próprio sítio) e a Casa do Mel onde também são processados os doces e geléias produzidos no sítio.

Frutiferas em produção

Em 2005, eu Margarete Nogalis, me mudei para o sítio em definitivo, na ápoca eu morava em Paulínia (SP) e trabalhava na Associação Beneficente Parsifal (SP) como Terapeuta Social. Vim trabalhar como professora da Rede Municipal de Ensino em Bocaina de Minas. Morando no sítio pude organizar melhor os plantios, incrementar o trabalho com Apicultura e outros projetos, como a Oficina de Papel Artesanal, que funcionou na localidade de Santo Antônio do Rio Grande de 2005 até 2011, com crianças e adultos, culminando com a confecção de xilogravuras de temas locais. Posteriormente montamos agendas e cadernos com papel artesanal e todas as xilogravuras confeccionadas.

Agendas feitas com xilogravuras de temas locais e papel artesanal feitos pelos participantes do grupo de artesãos de Santo Antônio.

Trabalhei também com as mulheres da localidade, ensinando e resgatando a técnica da tecelagem manual, com um grupo inicial de 20 pessoas. Após 2 anos de trabalho voluntário com esse grupo, organizamos a Associação de Artesãos de Santo Antônio do Rio Grande, hoje existem dois pequenos pontos de venda dos trabalhos feitos pelas tecelãs locais que deram continuidade a esse trabalho.


 
Fazendo parcerias com outras pessoas da localidade pudemos trazer para cá vários cursos de capacitação tanto do SENAR - Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, como do Sebrae e EPAMIG, como Fruticultura, Apicultura, Produção de Própolis, Fruticultura II e Cultivo de Oliveiras. Alguns desses cursos foram realizados aqui no Sítio, pois na época era um dos poucos sítios com fruteiras de clima semi-temperado onde poderiamos realizar vivências. Hoje, até por conta da influência de nossa experiência bem sucedida, outras pessoas já começam a diversificar o plantio de frutíferas.

 
Em Setembro de 2007, no auge da seca nesta região, passamos por momentos de profunda tristeza.Um vizinho, bastante inconsequente, ordenou que um empregado seu fizesse uma queimada para formação de pasto. Soubemos desse fato e fomos imediatamente conversar com esse vizinho, para que ele não o fizesse, pois a seca era muito severa, não chovia há mais de três meses, no entanto de forma imprudente e irresponsável a queimada foi feita, o fogo atravessou a cerca e queimou por dois dias e duas noites, só parando no terceiro dia com uma chuva forte que foi uma benção vinda do céu.

                                             Inicio da queimada em 19/09/2007.

Após esse triste evento resolvemos transformar nosso Sítio em RPPN - Reserva Particular do Patrimônio Natural Morro do Elefante (Apoio SOS Mata Atlântica) e não só recuperar a área queimada como também tentar trabalhar a consciência local contra as queimadas, caçadores e outras formas de devastação. Mas isso tem um preço, nem sempre é bem visto pela população local que tem hábitos arraigados e não consegue perceber que a vocação maior da Serra da Mantiqueira é a preservação. Para isso precisamos conservar os mananciais, a fauna e a flora, pois uma depende da outra intrinsecamente.
Depois disso nos inscrevemos em inúmeros projetos de recuparação de áreas degradadas e recebemos mudas de árvores nativas de várias instituições. Somamos hoje 6.700 árvores nativas plantadas nesses últimos anos e também plantamos sementes de Araucária (pinhão) em todas as safras, algumas dessas árvores já florescem e com certeza gerarão novos indivíduos aumentando assim a diversidade de nosso sítio.
      
Quaresmeira plantada em 2007, hoje exibindo suas belas florês.

 
Participamos do Projeto ProMata, recuperando uma área de 12 ha, e hoje somos contempladas pelo projeto do Governo de Minas, Bolsa Verde. Somos responsáveis por duas nascentes que brotam dentro da área da RPPN, correm pelo sítio e deságuam limpas no Rio Grande.
O Sítio sobrevive da produção de mel e cultivo orgânico de frutas de clima semi-temperado e posterior processamento em geléias e doces, bem como a desidratação de parte da produção. O trabalho é sem fim, mas nos sentimos muito felizes com os resultados. Nossos ganhos continuam sendo modestos, temos que trabalhar muito, pois ainda há inumeros investimentos a serem feitos,  mas nossos corações ficam mais leves quando observamos os pássaros e outros animais que vivem tranquilos na área da reserva.


sábado, 25 de fevereiro de 2012

Belas Paisagens.... belas poesias!























Poesia de Pedro Schlindwein



MORRO DO ELEFANTE
PEDRA NEGRA
SANTO ANTÔNIO
CACHOEIRA DO RIO GRANDE

QUE MARAVILHA
ISTO É UMA ILHA
CERCADA DE MONTANHAS
NAS ENTRANHAS DE BOCAINA DE MINAS

DUAS NINFAS APARECEM
COISAS ACONTECEM
O SOL ESCONDE-SE NA PEDRA PINTADA
NO ALTO DA MONTANHA
ESCUTA-SE O SILÊNCIO
SÓ QUEBRADO PELO VENTO



Cachoeira do Rio Grande


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

ARAUCÁRIAS



   A Araucária [Araucária angustifolia (Bertl.) Kuntze 1898] é a espécie arbórea dominante da floresta ombrófila mista, ocorrendo principalmente na Região Sul e parte do Sudeste, sendo conhecida por Pinheiro-Brasileiro ou Pinheiro do Paraná; e também pelo nome de origem indígena, Curi.
   Sua origem remonta a mais de 200 milhões de anos atrás, quando sua população se disseminava pelo Nordeste brasileiro. Conífera dióica, perenifólia, heliófita, pode atingir alturas de 50 m, com um diâmetro de tronco à altura do peito de 2,5 m. Sua forma é única na paisagem brasileira, parecendo uma taça. Ocupando uma área original de 200 mil km2, a partir do século XIX foi intensamente explorada por seu alto valor econômico, dando madeira utilíssima e sementes nutritivas, hoje seu território está reduzido a uma fração mínima, tendo diminuido em 97% no último século, o que segundo a União Internacional para Conservação e dos Recursos Naturais (IUCN) coloca a Araucária em Perigo Crítico de Extinção.
   Sua vida se estende em média de 200 a 300 anos, sua madeira é de alta qualidade e já foi de importância básica para a econômia brasileira.
   Na colonização italiana nas serras do Rio Grande do Sul, a araucária já aparece como uma das grandes fontes de renda inicial para o colono, que ao chegar da Europa, inicia a derrubada das matas, abrindo espaço para a agricultura, logo podia usar a madeira para fazer sua casa e vender o excedente para manter-se nos difíceis primeiros anos da colônia, numa região onde até sua chegada não havia senão floresta virgem. A madeira da araucária se tornou o material mais privilegiado na original arquitetura que ali floresceu, com ela se produzindo inúmeras edificações de rara beleza plástica.


   Suas sementes participavam da dieta de indígenas que ocupavam a região e salvaram muitas famílias de imigrantes italianos da fome, no fim do século XIX, integrando-se prontamente à culinária colonial, in natura ou transformadas em farinha, pães e massas, ainda hoje os pinhões agregam renda ao pequeno produtor rural. E é presença obrigatória nas Festas Juninas.

As flores femininas são estróbilos, conhecidos popularmente como pinhas, e as masculinas são amentos ou cones cilíndricos. As araucárias não tem frutos verdadeiros, ou seja, suas sementes não são envolvidas por uma polpa. Os pseudofrutos ficam agrupados nas pinhas que, maduras, assumem uma forma esférica, com um diâmetro de cerca de 15 a 30 cm, podendo pesar até 5 kg. Pinhão é a designação genérica da semente. Nos meses de maio a junho as pinhas "estouram" ao sol, espalhando os pinhões num raio de até 50 m. Mas, apesar de engenosa, esta não é a principal forma de disseminação desta notável planta.

O homem e os animais que se alimentam desse pinhão também atuam no transporte e disseminação das sementes. Quatis, pacas, bugios, ouriços, camundongos, esquilos, besouros, formigas e diversas aves se beneficiam da semente rica em amido, Vitaminas B, cálcio, fósforo e proteinas.

   A Araucária dá substrato para mais de 50 espécies de epífitas, entre plantas vasculares, musgos e líquens, e abrigo para ninhos de 23 espécies de formigas. Mantém além disso importantes associações mutualísticas com cerca de 15 espécies de fungos. A redução na população de araucárias ameaça de extinção não só sua própria espécie, mas muitos outros organismos a ela intimamente associados, como a canela-sassafrás (Ocotea pretiosa), a canela preta ( Ocotea catarineneses), a imbuia (ocotea porosa), o xaxim (Alsopila setosa), a grala azul (Cyanocorax caeruleus), o macuco (Tinamus solitarius), os inhambus do gênero Crypturelus, a jacutinga (Pipile jacutinga) e grande número de epífitas.


   Um estudo encomendado pelo Ministério do Meio Ambiente em 2002, concluiu que "a floresta ombrófila mista está no fim e, se não for criada, imediatamente, uma série de unidades de preservação, corre-se um grande risco de perder esse ecossistema.... Os raros remanescentes florestais nativos são de dimensões reduzidas, encontram-se isolados e com evidentes alterações estruturais".


   A Araucária está na lista de espécies ameaçadas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), do Instituto de Botânica de São Paulo e da Fundação Biodiversitas. Figura na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN).


   Flávio Zanette, da Universidade Federal do Paraná, relata que a presença da araucária é considerado por muitos agricultores como um entrave aos seus objetivos, quando há algumas décadas atrás os Produtores rurais plantavam a araucária, hoje eles cortam as mudas que nascem perto de alguma planta mãe, pois se deixarem crescer não poderão cortá-la quando adulta, para usar sua madeira, e a árvore ocupará um grande espaço em sua propriedade.  No Sul Mineiro onde se localiza a RPPN MORRO DO ELEFANTE, devido a proibição do corte e as multas aplicadas pelos órgãos ambientais, sem que haja uma orientação por parte das autoridades competentes, existe a mesma postura. Os produtores rurais locais, em grande parte pecuaristas não mais plantam Araucárias e esse tipo de postura já esta sendo adotado no caso de outras espécies como é o caso da Candeia (Gochnatia polymorpha).

A Araucária é protegida por lei desce 13/03/1797 Carta Régia, diante da iminente extinção várias outras leis foram criadas. A tendência recente tem sido a de proibir qualquer tipo de intervenção no bioma da araucária, mesmo na forma de manejo sustentável autorizado pela Constituição. O que não vem impedindo que a ação humana continue contribuindo para que tão bela espécie desapareça. A foto acima mostra parte de uma queimada no ano de 2011 que destruiu mais de 1000 ha no município de Bocaina de Minas em Área de Preservação Permanente, onde muitas espécies foram queimadas.

   "Todos os anos, 1% das araucárias morre naturalmente. Se não houver pelo menos 1% de natalidade, ela será extinta." Flavio Zanette


   Entre as incongruências da política oficial, apesar de sua importância e de estar em estado de ameaça crítica, há poucas unidades de conservação para seu sensível ecossistema, e o próprio governo federal brasileiro aprovou a criação da Usina Hidrelétrica de Barra Grande, na divisa da Santa Catarina com o Rio Grande do Sul, cujo lago inundou uma área de aproximadamente 8.140 hectares onde sobrevivia um dos mais bem preservados e biologicamente ricos fragmentos de floresta ombrófila mista do estado de Santa Catarina.


   A postura da RPPN MORRO DO ELEFANTE é de esperança ativa, queremos construir um mundo melhor, e nesse mundo haverá sempre Araucárias, tão nobre ser da natureza que se doa generosa a tantos outros seres. Para isso nos últimos anos plantamos mais de 100 mudas de pequenas Araucárias (Projeto Pro Mata), e todos os anos na época do Pinhão enterramos  um grande número de sementes para que outras pequenas araucárias brotem. Como não coletamos mais do que 10% das sementes produzidas no sítio, na intenção de que as sementes remanescentes possam alimentar os animais silvestres, eles também ajudam a dissemina-las. Nos últimos anos temos observado que esse trabalho tem dado resultados bastante positivos, pois existem,  em toda área do sítio,  inúmeros exemplares de Araucária de diferentes tamanhos.